UM NATAL DE POESIA
Prof. Luiz Pacheco
Rodrigues Pinagé
foi um poeta potiguar que migrou para Belém junto com os seus pais ainda
criança. Em Belém exerceu a função de jornalista e funcionário público, foi
eleito Príncipe do poetas paraenses pela Academia Paraense de Letras. Pinagé
era amigo-pessoal do meu velho Pai – Antônio Pacheco de Almeida, e frequentava
a barbearia dele que ficava localizada na Travessa Campos Sales, entre a
Boulevard Castilhos França e a 15 de Novembro. Somente com a companhia de
Pinagé era que meu pai era capaz de se dirigir ao antigo e tradicional
estabelecimento comercial que era apegado a sua barbearia – o tradicional bar e
café “Barbinha”, localizado na esquina da Tv. Campos Sales com a Boulevard
Castilhos França.
Meu pai tomava
junto com Pinagé uma garapa ou caldo de cana e, normalmente, conversavam sobre
poesia, política e sobre o processo de modernização das artes, do país, dos
costumes, etc. Meu pai, que nas horas vagas também se dedicava a poesia, era
leitor e admirador dos poetas românticos e neoclássicos brasileiros que
assumiam uma influência parnasiana na forma, mas que não abdicavam de abordar
as particularidades do Brasil, abordando, além do amor à humanidade temas
relacionados com o cotidiano dos brasileiros. Os autores prediletos do meu pai
eram Olavo Bilac, Francisco Otaviano, Gonçalves Dias, José de Alencar, Castro
Alves, Euclides da Cunha, Vespasiano Ramos, além do próprio Pinagé e do
extraordinário Fernando Pessoa.
Era comum, no final do domingo, meu pai reunir os filhos para
declamar poesias, especialmente em períodos de festas como o Natal. Não há como
não se lembrar destes fatos em períodos como estes. Assim, todas as vezes que
desejo a alguém Feliz Natal, o faço tendo na mente e no coração os bons
conselhos do meu Pai e a emoção intensa, sincera e verdadeira de minha Mãe, por
isso, eu digo a todos com muita força e emoção: FELIZ NATAL!

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