domingo, 27 de janeiro de 2013

REFLEXÕES PESSOAIS SOBRE TRAGÉDIA DE SANTA MARIA (RS)


Minha reflexão pessoal sobre o 
drama dos jovens universitários de Santa Maria (RS) 
e seus familiares

Prof. Luiz Pacheco

Todos os brasileiros ficaram, neste último domingo (27/01), estarrecidos com o fato ocorrido na cidade de Santa Maria (RS), quando dezenas pessoas, em sua maioria jovens estudantes universitários, perderam sua vida devido a negligência de alguns e a falta de cuidado com a vida humana.

Por tudo que eu já vi e li sobre o assunto e também pela minha parca vivência em ambientes noturnos aqui em Belém, eu tenho certeza de que esta boate do Rio Grande do Sul não possuía saída de emergência, extintores suficientes e funcionando, captadores de fumaça e outros equipamentos de segurança. Além disso, fica evidente a falta de treinamento dos seguranças que atuam nesses espaços para lidar com esse tipo de situação. O problema é que este não me parece um caso isolado, eu acredito que a sociedade precisa se posicionar e deixar de frequentar locais que não ofereçam segurança, conforto, acessibilidade e garantia de bem estar para quem deseja ir a um local para se divertir comer, brincar, dançar, etc. A sociedade brasileira precisa aumentar o seu padrão de exigência e cada indivíduo enquanto cidadão e consumidor tem o direito de cobrar qualidade de serviço nos locais que frequenta.

No caso de Santa Maria, temos que, infelizmente, considerar o problema da imprudência da juventude que sempre acha que nada de mal vai lhe acontecer. Infelizmente somente o tempo é que nos ensina a refletir e analisar melhor os ambientes que frequentamos e as situações que nos colocamos, considerando o nível de segurança desses ambientes e até mesmo a qualidade do serviço que eles prestam.

Por essa razão, penso que para prevenir e evitar este tipo lamentável de ocorrência é que devemos cobrar do poder público uma ação reguladora, fiscalizadora e punitiva em relação à realização de eventos e shows em bares, boates, danceterias, clubes, logradouros públicos, etc. Não podemos nos omitir diante de atitudes irresponsáveis como a dos empresários, donos do local onde foi realizado o show, e a atitude dos produtores deste show que não planejaram adequadamente o evento. Aliás, normalmente quem produz esse tipo de evento não se preocupa com a infraestrutura para a sua realização, preocupa-se apenas com o aspecto mercadológico deixando o bem estar e a segurança do cidadão/consumidor, que pagou para assistir o espetáculo, em segundo plano; o que dizer, então a respeito da preocupação que eles deveriam ter com a população que, de alguma maneira, poderia ter sido atingida pelo evento? Já imaginou se o incêndio tivesse se propagado e atingido outros imóveis daquela rua?

Entendo, ainda, que é necessário haver maior esclarecimento e orientação à população em geral, além de se exigir um treinamento básico dos funcionários destes estabelecimentos para situações de emergência, podendo, inclusive se estabelecer a exigência da criação de uma brigada de incêndio para realização de eventos de grande e médio porte.

O que é lamentável neste caso, de acordo com o que foi veiculado pelas redes sociais e imprensa em geral, é que os jovens que ali estavam pagaram para assistir um show e acabaram morrendo, devido uma orientação dos empresários e produtores para ninguém sair do local sem pagar e é óbvio que o local não oferecia as mínimas condições de segurança. Assim, neste caso, não basta nos comovermos com o drama pessoal das famílias, é preciso mudar a nossa forma de pensar e agir e cobrar das autoridades maior fiscalização e controle na qualidade da prestação de serviços.   

Quanto ao papel da mídia em situações como esta, eu penso que há uma diferença fundamental entre informar a sociedade e "espetacularizar a tragédia". Esta diferença pode ser sentida através do enfoque que é dado ao problema, através do discurso elaborado sobre o assunto e até do tipo de imagem que é veiculada. Os programas que se prendem mais ao drama pessoal dos envolvidos tendem a ser mais sentimentais e sensacionalistas,  acabam deixando de lado a raiz do problema. Isto não quer dizer que não devamos usar o sentimento, mas precisamos, a partir dessa comoção pessoal, nos posicionar e exigir uma mudança de atitude por parte dos órgãos que fiscalizam e liberam o funcionamento desses espaços. No mínimo devemos iniciar um amplo debate sobre este assunto.  Neste caso, o papel da imprensa é informar a sociedade, buscando o esclarecimento dos fatos e orientando as pessoas para uma tomada de consciência e/ou uma mudança de atitude, ou seja, a mídia formal e as redes sociais têm um papel educacional e político fundamental que está relacionado à formação do cidadão. Para mim, não existe cidadania sem informação!
Para concluir, eu afirmo que não é possível se colocar pessoas em situação de risco e chamar isso de acidente. No campo jurídico existe uma diferença básica entre ação dolosa e culposa, talvez, neste caso, não haja uma culpabilidade clara, única e exclusiva, mas com certeza houve uma ação dolosa à vida humana; isto não pode ser negligenciado por ninguém, principalmente pelas autoridades constituídas que foram, e, normalmente, têm sido omissas no seu papel de regular e fiscalizar o funcionamento dos espaços públicos ou de uso coletivo. Afinal, além do pagamento ao serviço de lazer que seria prestado pela produtora do evento e pelo empresário da boate, os pais daqueles jovens e eles mesmos também pagam seus impostos.

Onde já se viu permitir o funcionamento de uma casa noturna sem saída de emergência? Usar um sinalizador em um local cheio de pessoas e material inflamável e achar isso normal? Criar espaços de consumo do lazer sem ventilação natural ou janelas que permitam se estabelecer essas ventilação e, até mesmo, acesso alternativo ao interior do estabelecimento? Oferecer um serviço e não está capacitado para isto? Enfim, tudo isso é LAMENTÁVEL!

Um comentário:

  1. Pois é, pessoal! Vejam só, mais uma vez a injustiça está em curso em nosso país, dois integrantes da banda que se apresentava na boate Kiss em Santa Maria (RS) foram presos. Claro que eles foram responsáveis diretos pela iniciativa de acender o sinalizador que provocou o incêndio, mas se o fizeram foi porque alguém permitiu, deixando de lado os mínimos critérios de segurança. Entendo que a responsabilidade deste caso não deva ser individualizada e que seja necessário se ampliar essa perspectiva de análise da polícia, averiguando a responsabilidade e culpabilidade de quem permitiu ou autorizou a realização do show. Como fica a responsabilidade do poder público local e da iniciativa privada que permitiram a realização do evento sem a mínima infra-estrutura de segurança necessária? É necessário apurar as responsabilidades e punir quem realmente é culpado por este lamentável crime.

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